Em uma entrevista pra o site do Grammy, o produtor e compositor sueco Oscar Görres foi perguntado sobre seu trabalho com Britney, onde acabou descrevendo todo o processo de gravação da música “Hard To Forget Ya“, presente no Glory.

Grammy: Você trabalhou com Britney Spears em “Hard to Forget Ya”, do Glory. Ela tem uma das vozes mais icônicas e singulares do pop moderno – impossível esquecer. Como foi o processo de produzir esses vocais?

Görres: Quando comecei a fazer música, um dos meus objetivos principais era ter uma música com Britney Spears. Era como se fosse o último estágio de um videogame. (Risos) A música na verdade foi escrita durante um recrutamento de compositores em Las Vegas feito pela [empresa] Warner Chappel. Justin Tranter, Julia Michaels, Mattman & Robin estavam todos num quarto ao lado do nosso. Duas das músicas – a minha e “Do You Wanna Come Over?”, foram escritas no mesmo dia. Karen Kwak (a produtora executiva do Glory) iria nos visitar no dia seguinte para ouvir as duas demos. Foi um processo muito rápido.

Por alguma razão, eu tinha quele ritmo [canta a melodia do refrão da música] quando acordei naquele dia. Levei isso para o quarto de compositores. Chi e Blu, da dupla de compositores/produtores Nova Wav, Ian Kirkpatrick e Edward Drewett estavam todos lá. Eu sabia que Karen estava vindo, então eu disse “Podemos fazer algo para Britney? Só por diversão? Ela é um ícone, ela é maravilhosa, vamos fazer!” Então fizemos.

[Uma vez] Trabalhando nessa música, haviam muitas coisas para consertar. A estrutura estava ótima e parecia bem ‘Britney’, tipo algo que ela poderia fazer. Parecia ótima. Mas eu levei pra casa na Suécia e trabalhei mais nela, assim como Ian, que me mandou os arquivos. As meninas do Nova Wav estavam no campo, e me mandaram notas de voz. Foi um verdadeiro quebra-cabeça fazer essa música, mas nós trabalhamos, e enviei para Karen novamente. Não tivemos resposta por um tempo. De repente, ouvimos: “Britney quer gravá-la. Ela amou.”

Eu não pude estar lá quando ela gravou. Fiquei devastado. Eu estava numa correria também. Acho que foi uma das últimas músicas que ela gravou para o Glory. Mas recebi os vocais. Uma das coisas que eu mais lembro é que a voz dela tem aquela frequência, aquele tom que definiu minha adolescência. Eu não consegui trabalhar nos primeiros trinta minutos, porque estava literalmente tremendo. Estava TREMENDO! Sinto vergonha de dizer isso, mas eu pensava “É ela. É ela. É ELA!”. Trabalhar naquela música e nos vocais… [balança a cabeça, não acreditando]

Eu tive que voltar para produção e pedir para ela regravar algumas partes, e cantei alguns improvisos, perguntando ‘Você consegue fazer isso?’. Ela fez. Eu me senti como ‘Eu não acredito que Britney Spears está cantando minhas palavras e improvisos’. A minha versão adolescente e a atual estavam nas nuvens.